Vazamento da FIFA e UEFA tem 70 milhões de documentos

Cerca de 70 milhões de documentos armazenados na rede da FIFA e de outras instituições do futebol vazaram para a mídia e agora estão sendo revelados. Os principais dão conta de que a associação europeia de futebol (UEFA) fez acordos secretos com o Manchester City e com o Paris Saint-Germain que permitiram a esses dois clubes fraudar as regras financeiras dos campeonatos em centenas de milhões de euros. Os documentos foram recebidos inicialmente pela EIC, ou European Investigative Collaboration, um consórcio de 15 empresas de mídia da Europa, e agora fazem parte das revelações do projeto Futebol Leaks. O projeto foi iniciado em 2016 com outra grande quantidade de documentos.

O conjunto de dados formado pelos mais de 70 milhões de documentos publicados agora ocupa cerca de 3,4 terabytes. É o maior vazamento de dados jornalísticos conhecido até o momento. Nos últimos oito meses, cerca de 80 jornalistas e especialistas em TI dos 15 membros do EIC uniram esforços para aplicar ferramentas de extração de dados aos material e assim expor acordos secretos ou ilegais em toda a indústria do futebol.

Os documentos foram fornecidos por um homem que supostamente  mora em Portugal, conhecido apenas como “John”, que desde 2016 está entregando documentos secretos das organizações do futebol à mídia europeia. “Tudo isso tem que vir à luz”, disse John em uma entrevista ao jornalista Rafael Buschmann, da revista alemã Der Spiegel. “As pessoas que realmente amam o futebol e que constantemente pagam por ele têm o direito de saber como ele realmente funciona. O futebol está completamente fora de controle”, afirmou.

Recentemente, tem havido relatos de que clubes de futebol e escritórios de advocacia podem ter sido hackeados, e que alguém do Football Leaks pode ter obtido informações usando e-mails de phishing. John, no entanto, diz que nem ele nem qualquer de seus companheiros é um hacker. “Temos fontes muito boas e uma rede forte que nos fornece muitas informações”, diz ele.

Até agora, nenhum dos documentos fornecidos por ele foi considerado falso. Além disso, a informação tem um alto grau de relevância social na Europa e revelou atividades criminosas. O próprio “John” nunca tentou determinar a direção ou o teor de um artigo da mídia: “Não poupamos ninguém, não trabalhamos em nome de um serviço de inteligência, associação ou agentes de jogadores; não somos pagos por ninguém”, diz John. Ele não divulgar o nomes de qualquer outra pessoa que esteja trabalhando no projeto. Ele sabe que processos foram movidos contra o Football Leaks em vários países e que clubes e agentes de jogadores contrataram detetives particulares para tentar descobrir quem ele é.

“A vida de um denunciante é problemática”, diz John. “Mas, assim como Edward Snowden, Chelsea Manning ou Julien Assange, acreditamos no que estamos fazendo e achamos que essa forma de divulgação é importante para a sociedade.”

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