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Privacidade de dados dominou discussão em Davos

No Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial realizado entre os dias 20 e 23 de janeiro, em Davos-Klosters, na Suíça, líderes e dirigentes se reuniram para discutir alguns dos maiores desafios enfrentados pelo mundo atualmente.

O Professor Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, estabeleceu como foco do encontro deste ano a 4ª Revolução Industrial. Ele define essa nova era de inovação como “um conjunto de novas tecnologias que estão integrando os mundos físico, digital e tecnológico, influenciando todas as disciplinas, economias e setores, e até mesmo desafiando o significado de ser humano”.

O tema é fantástico para refletir sobre as revoluções industriais anteriores e entender o que acontecerá em um mundo em que as conexões entre as pessoas não são mais medidas por quilômetros ou minutos, mas por megabits e microssegundos.

Em cada revolução, o ritmo da inovação dobra

A Primeira Revolução Industrial trouxe um período de inovação que durou mais de 100 anos, seguida pela Segunda Revolução e por novos avanços nos processos de fabricação. A Terceira Revolução Industrial criou novos métodos e máquinas para as empresas e os consumidores se comunicarem e terem acesso às informações.

É interessante perceber que cada revolução durou menos da metade do tempo que a anterior, por isso, pode-se concluir que o ritmo de inovação dobrou durante esse tempo. Como a Quarta Revolução Industrial está sendo definida, ela ainda promove mudanças a uma velocidade, escala e força que todos reconhecemos. O mundo interconectado está mudando radicalmente nossa forma de compartilhar, analisar e processar as informações e tem profundas consequências políticas, econômicas e sociais na Era Digital.

No entanto, com novas tecnologias surgindo de forma tão acelerada, será que as empresas, governos e todos os setores da indústria vão acompanhar o ritmo das mudanças da “Indústria 4.0”?

Os dados são o novo petróleo: o combustível para as economias digitais

Com o passar do tempo, temos mais dados, mais conexões, mais processos acontecendo fora do campo de visão, e as interações que temos com as máquinas (e que elas têm umas com as outras) estão cada vez mais sofisticadas. A importância dos dados na Era Digital está perfeitamente resumida em uma frase proferida por Ann Winblad, investidora e sócia sênior da Hummer-Winblad Venture Partners: “Os dados são o novo petróleo”.

Primeiro, a frase mostra como os dados estão se tornando rapidamente uma mercadoria, sem a qual não podemos prosperar. Os dados estão no centro de tudo o que fazemos na Era Digital.

Em segundo lugar, os dados são o combustível para as economias digitais. Por exemplo, as informações coletadas de nossos smartphones pintam um retrato de quem somos, do que gostamos de comprar e os lugares que gostamos de visitar – “alimentos” valiosos para as organizações de e-commerce e de marketing que querem nos vender produtos e serviços segmentados.

Em terceiro lugar, “os dados são o novo petróleo” no sentido de que são um ativo valioso a ser protegido e potencialmente buscado.

Como ocorre com qualquer coisa valiosa, os dados devem ser protegidos

As violações de dados de alta visibilidade nos lembram que os hackers estão ficando cada vez mais sofisticados em seus métodos e, possivelmente, estão um passo à frente nesse jogo. E se ataques como o que a Sony sofreu nos ensinam alguma coisa, é que todos os dados, não importa o quão aparentemente insignificantes sejam, têm valor potencial para alguém. É a forma como os dados são usados que lhes dá valor.

A perda significativa deles não apenas prejudica a reputação corporativa, como também pode resultar em perdas financeiras consideráveis para companhias que operam em regiões com regulação rígida, como o Reino Unido, por exemplo, onde as multas chegam à casa dos R$200 bilhões anualmente. Como podemos realmente nos destacar na Era Digital se as economias digitais ficam expostas a um potencial sobressalto financeiro como esse?

O futuro da segurança dos dados

A construção de uma infraestrutura robusta de segurança cibernética, de uma cultura de conscientização e da conformidade com as novas normas de privacidade de dados não pode ser uma reflexão tardia ou uma “prisão” para as empresas globais. Essa ideia precisa estar incorporada nas operações e na própria dinâmica das organizações.

As Regras de Safe Harbour de outubro de 2015 fizeram com que as normas de privacidade de dados ficassem ainda mais em evidência. Uma nova proposta realizada por políticos dos EUA e do Reino Unido, que será discutida no início de fevereiro, pretende apresentar uma nova estrutura global para a transferência de dados. Isso certamente influenciará outras regiões que estão em processo de revisão das leis de privacidade de dados, como o Brasil, que possui um anteprojeto de lei tramitando pelo Congresso atualmente.

Embora seja difícil prever o resultado do “Safe Harbour 2.0”, uma nova estrutura mais rígida pode exigir até mesmo uma maior responsabilização, e as empresas terão que se adaptar e respeitar as normas para continuar fazendo negócios nos mercados internacionais. De acordo com a Computer Weekly, serão avaliadas multas de até R$447 milhões para as empresas que não cumprirem as normas propostas, com a possibilidade de que as pessoas e as associações também tragam queixas nos casos de não conformidade.

Simplificando, os riscos são altos demais para ignorar a conformidade, mas será que as empresas estão adotando as medidas adequadas necessárias para proteger os dados corporativos e dos clientes? Se não estiverem, o que está obstruindo o caminho?

Diminuindo a distância do SecOps

Um desafio que as empresas de todos os tamanhos estão enfrentando é a lacuna da SecOps, ou a falta de sintonia entre as equipes de segurança e das operações de TI. Uma pesquisa recente realizada pela BMC e pela Forbes Insights constatou que 60% dos respondentes de empresas dos EUA e EMEA afirmam que as equipes de operações e de segurança só têm uma compreensão geral, ou pouca compreensão, das exigências das duas equipes. O efeito direto desse distanciamento é que 44% das violações de segurança ocorrem mesmo quando as vulnerabilidades e suas soluções foram identificadas previamente.

Entre as medidas práticas para diminuir o distanciamento das SecOps estão revisar as estruturas internas dos relatórios, cultivar uma cultura de conscientização no que tange à segurança, determinar que a equipe de conformidade se encontre regularmente com as contrapartes em outros departamentos e, se possível, substituir os processos manuais propensos a erros por plataformas inteligentes de conformidade e segurança que automatizam os testes e a implantação dos patches de segurança.

Os dados se encontram no centro da 4ª Revolução Industrial. As empresas que aproveitam o poder dos dados para prestar serviços excelentes para os clientes e, ao mesmo tempo, tomam medidas para proteger completamente os dados vão sobreviver e triunfar. O essencial é acompanhar o ritmo da mudança, respeitar as leis de transferência de dados nos mercados internacionais e garantir que a proteção de dados seja integrada em toda a empresa.

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