Não aceite “invite” de estranhos

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Thaina Carvalho

Por Thaina Carvalho

Assim como no mundo físico, o mundo virtual tem muitas armadilhas. O primeiro passo para evita-las é entender que elas existem. Na vida desconectada não saímos pelas ruas distribuindo folhetos com nossas fotos, data de nascimento, local onde moramos. Não damos nossos telefones para qualquer um. Não saímos por aí dizendo quando e onde será nossa próxima viagem. Parece estranho fazer isso, não é? Mas é exatamente o que fazemos na internet, e seja na vida conectada ou desconectada, é bom lembrar que pessoas, boas ou más, estão todas online.

Façamos outra analogia simples: quando um ladrão quer roubar uma casa, por exemplo, a primeira coisa que ele procura fazer é se aproximar, investigar sobre o local, hábitos dos donos e somente depois praticar o ato do roubo em si. Na internet é a mesma coisa. O mal intencionado se aproxima da vítima, a conhece, pesquisa sobre ela em redes sociais e comunidades que ela faz parte para montar o perfil completo, descobre o que ela faz nos finais de semana, para onde viaja, etc. A partir daí fica fácil convencê-la dos aspectos em comum. Por isso é fundamental restringir nossas informações, planejar o que e quem as verá e ter um controle das publicações em geral. Agora, se o perigo é alto para nós, que temos a percepção do risco mais claro, imagine para crianças e adolescentes? Com toda a tecnologia a sua disposição elas estão cada vez mais livres e desprotegidas.

Proibir o uso da internet não é o ideal. É preciso ensinar as crianças e adolescentes a usarem a web com cuidado e responsabilidade, claro que contando com ferramentas de monitoramento e controle, sejam de conteúdo de websites, de horários, investigação ou armazenamento das ações realizadas no computador, afinal, cabe a nós tomarmos cuidado com tudo o que nos interessa. Cabe também uma pergunta simples que pode auxiliar: você sabe com quem seu filho se relaciona na internet? O que ele faz nas comunidades virtuais e até que horas costuma navegar realmente?

A internet pode se tornar um vício, como muitas drogas lícitas e ilícitas, porém diferente de nosso mundo físico, não conseguimos ver nas pessoas as reações mais claramente. Algumas dicas podem facilitar na identificação de que algo está errado:

1) Querer ou usar a internet isoladamente, por exemplo, não querer que o computador fique em um local público da casa.

2) Uso do computador até altas horas ou de madrugada;

3) Fechar ou minimizar páginas do Skype, facebook, etc quando alguém se aproxima;

4) Passar a receber recados de pessoas com muita diferença de idade, ou de pessoas que você sabe que não fazem parte do círculo de relacionamento;

5) Notar que seus filhos conhecem mais sobre assuntos de sexo que você imagina;

6) Se recusar a conversar sobre suas atividades diárias ou até demonstrar ansiedade para contar sobre o dia, como se estivesse escondendo alguma informação.

Devemos lembrar que, cada pessoa age de uma forma única e possui um comportamento característico dela, então dessa forma, muitas podem dar sinais perceptíveis a todo o tempo, bastando que estejamos atentos.

Existem muitos meios para o controle da internet que podem e devem ser adotados pelos pais, mesmo que muitas vezes eles tenham o sentimento de estar invadindo a privacidade de seus filhos, afinal o mundo muda a cada dia e não podemos mais achar que a velha forma de educar gera resultados satisfatórios em todos os pontos. Até que nossos filhos realmente cresçam, passem a fase da adolescência e cheguem à vida adulta precisamos acompanhá-los de perto, fazê-los entender que nossas ações por mais que eles não entendam, são benéficas e importantes e nesse ponto vale acompanhar e monitorar tudo o que eles fazem.

Algumas dicas sobre o monitoramento:
1) Todo computador necessita que um usuário seja criado para acessá-lo, e esse usuário pode ser um administrador ou um usuário comum (veja abaixo). O ideal é que os pais tenham a senha de acesso do administrador e seus filhos tenham um usuário normal, dessa forma fica mais difícil esconder ou apagar informações importantes que demonstrem o comportamento do usuário:

administrador do computador, o qual pode instalar e desinstalar programas, alterar configurações e fazer tudo o que quiser;
usuário comum, o qual pode apenas usar o computador.

2) Verificar o histórico dos websites onde a pessoa navegou.

3) Fazer parte da lista de amigos de seus filhos nas comunidades virtuais, tais quais, facebook, twitter, Instagram e outros, e sempre verificar as comunidades das quais ele faz parte, assuntos que tem discutido, amigos e outros contatos duvidosos que apareçam, assim como orientar os filhos a não publicar fotos com roupas de banho, fotos que mostrem o local onde moram, lugares para onde viajam, fazer comentários sobre locais que costumam freqüentar, etc. Lembre-se que sabendo os hábitos e gostos da pessoa fica mais fácil, se aproximar, montar um plano de seqüestro, assediar, etc.

4) Bloquear websites que contenham cenas de sexo de todas as formas. Para isso existem vários filtros de conteúdo que podem ser baixados e instalados gratuitamente. Basta você pesquisar no Google por “filtros de conteúdo gratuitos para websites”, ou usar o próprio Windows para isso, delimitando inclusive horários de uso.

5) Existem algumas ferramentas para monitorar tudo que as crianças fazem na Internet, bloquear sites (Facebook e etc) e monitorar conversas, muitas inclusive gratuitas.

6) Monitorar sempre que possível os e-mails.

7) Monitorar a todo o tempo o uso do Skype, MSN e outros messengers. No caso do primeiro, você pode habilitar o programa para que ele salve as conversas em uma pasta específica do Windows, e após verificar os arquivos (ele gerará um arquivo de bate papo para cada amigo(a) que conste na lista de seu filho(a)).

8) Não usar senhas compartilhadas, e deixar como regra que cada pessoa terá seu usuário para acesso.

9) Impor regras para o mundo virtual, assim como as impostas para o mundo físico e sempre buscar mais informações sobre o assunto segurança.

10) Ao entrar em um website que requeira informações pessoais ou que exija uma senha de acesso, garantir que o website tenha um certificado digital válido (aquele cadeado que aparece no lado direito inferior da tela do computador, ou ao lado direito do endereço do website acessado). Isso garantirá que suas informações estão trafegando criptografadas e que o website é autêntico.

11) Não deixar nunca a emoção sobrepor a razão, e manter o diálogo acima de tudo, com muita, mas muita paciência.

Podem existir muitas outras formas de monitorar as atividades online ou conscientizar as crianças, então se lembrarem de algo que não foi mencionado no artigo, fiquem à vontade de encaminhar.

Para terminar, segue um aplicativo do Facebook que nos ajuda a levantar essa discussão a respeito da privacidade na internet, do quanto estamos expostos e do quanto estamos permitindo que nossos filhos também estejam expostos. O aplicativo cria um vídeo personalizado com nossas informações e vale inclusive fazer a experiência com as crianças, para que elas entendam o quanto pode ser perigoso o uso inadequado da internet. Parece ficção, mas pode virar realidade se não estivermos atentos!

http://www.takethislollipop.com/

(Para usar o aplicativo basta estar conectado ao facebook e clicar em “Conectar with Facebook”.)

Thaina Carvalho | Gestora de Marketing na TrustSign

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