Coinhive já contamina 415 mil roteadores MikroTik

mapa de contaminação mikrotik
Mapa de contaminação dos roteadores

No vale tudo para ganhar dinheiro, muita gente está escravizando os roteadores MicroTik com o script Coinhive para minerar a criptomoeda Monero. Em Agosto deste ano o total de roteadores estava por volta de 170 mil mas acaba de se aproximar de 415 mil segundo os pesquisadores e grande parte está no Brasil. A razão para isso está na valorização das criptomoedas. O Monero é especialmente de interesse do cibercrime porque oferece privacidade nas transações. Já no Bitcoin não: é possível conhecer os saldos e movimentações de uma carteira simplesmente pelo seu número. O blockchain do Bitcoin exibe tudo.

Embora a ameaça do malware esteja se expandindo, ela afeta apenas os usuários dos roteadores MikroTik, mas o número é bastante elevado. O problema pode piorar se ao invés de minerar Monero os roteadores começarem a disparar ataques DDoS.

Inicialmente a maioria dos roteadores comprometidos estava concentrada no Brasil, mas à medida que a infecção se expandiu foram contaminados roteadores na América do Norte, América do Sul, África, Europa, Oriente Médio e Ásia. A contaminação é mostrada no mapa traçado pelo Shodan.

Os roteadores MikroTik são amplamente vendidos para provedores e organizações de serviços de Internet, e o aumento nas infecções de roteadores mostra que poucas organizações instalaram o firmware mais recente, que fecha as possibilidades de invasão.

Ao explorar uma falha de segurança em versões mais antigas do firmware do roteador, o invasor consegue injetar o script Coinhive em todas as páginas da Web visitadas por um usuário. A falha existe até a versão 6.42 do firmware – ela permite que atacantes remotos não-autenticados leiam arquivos e que atacantes remotos autenticados gravem arquivos, devido a uma vulnerabilidade cruzada de diretório na interface WinBox, segundo a  National Vulnerability Database dos Estados Unidos. Embora o Coinhive tenha sido inicialmente concebido como um software legítimo para permitir que os sites “pedissem emprestado” temporariamente o hardware de um visitante para o Monero, o abuso do script (utilização do hardware do visitante sem a sua autorização) levou muitos softwares antivírus a bloquear seu uso.

Embora a “bolha” das criptomoedas tenha estourado, o cryptojacking continua sendo uma séria ameaça à segurança. Em um incidente no mês passado, a Universidade St. Francis Xavier, na Nova Escócia, Canadá, foi forçada a suspender suas atividades na rede porque descobriu-se que um hacker havia invadido o sistema da universidade para roubar recursos de computação para minerar Bitcoin.


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